USP dificulta ingresso de aluno da rede pública
A Universidade de São Paulo (USP) mais uma vez fecha suas portas aos alunos da rede pública. A pró-reitora de graduação da universidade, Telma Zorn, anunciou que pretende acabar com o bônus automático de 3% concedido a alunos dessas escolas no vestibular da Fuvest.
O Inclusp (Programa de Inclusão Social da USP), criado em 2007, concede um acréscimo de até 12% na pontuação do vestibular para estudantes da rede pública. Hoje, esses alunos recebem três tipos de bônus: o automático de 3%; outro que pode chegar também a 3% dependendo da nota no Pasusp (prova de avaliação seriada da USP); e outro de até 6% relacionado à nota do Enem, que este ano será substituído pelo Bônus Fuvest.
A pró-reitora quer transformar o bônus automático em uma vantagem atrelada ao mérito de cada estudante..
A USP tem recebido cada vez menos egressos da escola pública. Em 2009, o percentual foi de 30%. Esse ano, foram apenas 25%.
Para o educador Ocimar Munhoz Alavarse, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, o fato de a USP não divulgar informações suficientes sobre o processo seletivo e sobre a possibilidade real de ingresso em determinadas carreiras pode explicar o afastamento do aluno da escola pública.
Alavarse sugere o desenvolvimento de mecanismos mais “arrojados” de inclusão. “O Inclusp é uma tentativa de aumentar as chances do aluno, mas ainda não muda profundamente esse quadro social”, diz.
O professor é crítico quanto à intenção de aumentar o peso do mérito no bônus fornecido pelo Inclusp. “O mérito de qualquer forma vai ser avaliado pelo desempenho dele na prova. Tem que se considerar a condição sócio-econômica”.
Com informações do Jornal da Tarde.
(Do Assembleia Permanente PT.)