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	<title>Rui Falcão Deputado Estadual do PT &#187; política externa</title>
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	<description>Deputado estadual de São Paulo pelo PT, vice-presidente nacional do Partido, Falcão se dedica às áreas de defesa do consumidor e de habitação e regularização fundiária, além da fiscalização dos atos do Governo.</description>
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		<title>Sob Dilma, prevalece diplomacia econômica</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 21:38:05 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Sob influência da crise mundial e das incertezas nas economias desenvolvidas, a política externa brasileira, com a eleição da presidente Dilma Rousseff, reforçou seu componente econômico e, em 2012, deverá aprofundar as apostas no potencial dos mercados da América do Sul e da África.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Sergio Leo</strong></p>
<p>Sob influência da crise mundial e das incertezas nas economias desenvolvidas, a política externa brasileira, com a eleição da presidente Dilma Rousseff, reforçou seu componente econômico e, em 2012, deverá aprofundar as apostas no potencial dos mercados da América do Sul e da África. Dilma, que tornou as referências à crise mundial um item obrigatório de seus pronunciamentos em política externa, já anunciou sua opção preferencial pelos dois continentes. O que não divulgou é o apoio que tem do setor privado brasileiro, para fazer da integração de infraestrutura um componente essencial da diplomacia em 2012.</p>
<p>&#8220;O governo, claramente, está olhando de forma pragmática para a agenda política, e a infraestrutura vai assumir o papel de fio condutor dessa política&#8221;, prevê o diretor do departamento de infraestrutura da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti. Como outros observadores da diplomacia brasileira, Cavalcanti constatou o reforço, com Dilma, do interesse pela União das Nações da América do Sul (Unasul), grupo político que reúne os países do continente. Os projetos de infraestrutura na região são vistos, no Palácio do Planalto, como a ferramenta para facilitar a integração dos sistemas produtivos e garantir a conexão elétrica entre os países, um objetivo defendido por Dilma.</p>
<p>A Fiesp, informa Cavalcanti, participa das reuniões da Cosiplan, o órgão da Unasul dedicado a coordenar as obras de infraestrutura consideradas prioritárias, segundo uma lista que escolheu 31 projetos prioritários. Entre eles, está o corredor ferroviário que atravessará o Brasil, Paraguai, Argentina e chegará ao Oceano Pacífico pelo Chile &#8211; considerado o principal projeto, pelos industriais paulistas.</p>
<p>No começo do ano, a Fiesp reunirá potenciais financiadores, entre órgãos de fomento e investidores privados, para concretizar as obras em curto prazo. &#8220;Estamos apostando nisso&#8221;, garante o diretor da Fiesp.</p>
<p>No continente americano, as chances de avanço da diplomacia em matéria comercial são limitadas, e a prioridade de Dilma, segundo um ministro próximo à presidente, é defensiva: a tendência do Brasil, no futuro próximo, é buscar proteção à indústria nacional, e, se possível em combinação com os vizinhos. As autoridades brasileiras estão convencidas de que não há perspectiva de novidades na rodada de liberalização comercial da Organização Mundial de Comércio (OMC), e de que os mercados dinâmicos como o brasileiro estão ameaçados por uma invasão de importados que perderam clientes tradicionais. Essa preocupação foi repetida por Dilma, em cada discurso que fez em suas viagens internacionais e nas cerimônias diplomáticas em Brasília.</p>
<p>O governo, oficialmente, se mostra otimista em relação às relações comerciais com o principal parceiro no continente, a Argentina, que, sentindo a perda de receita com a queda de preços de suas commodities de exportação, tem enviado sinais de endurecimento no trato com produtos brasileiros.</p>
<p>Dois dos sinais mais fortes foram a confirmação, no posto, do polêmico secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, que se encarregou das medidas informais de controle de preços e de importações nos últimos anos, e a nomeação de sua aliada, Beatriz Paglieri, interventora no escritório de estatísticas argentino, acusado de manipular índices de inflação. Foi Moreno, que a imprensa argentina diz ter recebido mais poderes no segundo mandato de Cristina Kirchner, quem administrou as retenções de produtos brasileiros em 2011, que causaram prejuízos de milhões a produtores de chocolates, alimentos e calçados.</p>
<p>Segundo uma autoridade da área econômica, o Brasil minimizou os atritos, para evitar transformá-los em tema na campanha eleitoral vizinha. O governo tentará, neste ano, porém, por meio de um acordo envolvendo empresários dos dois países, um compromisso com os argentinos para normalizar o fluxo de comércio, embora se reconheça em Brasília que, apesar dos problemas, a balança comercial é francamente superavitária em favor dos brasileiros, que devem ter um saldo superior a US$ 8 bilhões no comércio com a Argentina em 2011.</p>
<p>&#8220;O que é claro é que o Brasil é um grande negócio para a Argentina e a Argentina um grande negócio para o Brasil&#8221;, comentou, para o Valor, o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que recebeu de Dilma a tarefa de coordenar um estudo sobre a economia argentina &#8211; no modelo de um detalhado estudo sobre a China produzido neste ano pela embaixada comandada pelo embaixador Clodoaldo Hugueney, que a presidente quer transformar em modelo para futuras avaliações de sócios do país.</p>
<p>No início de janeiro, duas reuniões decidirão o futuro do relacionamento Brasil-Argentina; uma delas dedicada às questões pontuais de barreiras ao comércio entre os dois países; a outra se ocupará da integração produtiva, com projetos conjuntos em áreas como os setores automotivo e aeronáutico, defesa e energia.</p>
<p>Com a África, que é assunto frequente de conversas de Dilma, em telefonemas a chefes de Estado do continente, a presidente criará, em 2012, um grupo interministerial dedicado a traçar a política de governo para o continente, que inclui diretrizes para apoiar investimentos das empresa brasileiras do país. Dilma, que visitou três países da África subsaariana em 2011, já anunciou que quer voltar no próximo ano ao continente, em visita aos países do Norte.</p>
<p>Ao contrário do que se imaginava após a eleição, Dilma tem mostrado gosto pelos assuntos internacionais, embora os econômicos sejam seus preferidos. Na sua leitura matinal de jornais inclui sempre o britânico &#8220;Financial Times&#8221;. A presidente encantou-se com os detalhes da formação do governo Obama, que leu numa biografia do colega americano. Leu também os livros sobre Bolívar presenteados pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Detesta, porém, &#8220;conversa de diplomata&#8221;, segundo define um ministro próximo, querendo dizer, com isso, a linguagem cuidadosa e vaga que algumas vezes é encontrada em relatos do Itamaraty &#8211; ainda que a presidente faça questão de prestigiar o Ministério de Relações Exteriores.</p>
<p>Os 31 projetos considerados prioritários pela Cosiplan estão listados no endereço<a href="http://is.gd/xDOBIm">is.gd/xDOBIm</a></p>
<p>Do Valor Econômico (para assinantes)</p>
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		<title>Um ano após posse, Dilma mantém política externa de Lula</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Dec 2011 16:39:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>imprensa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Noticias]]></category>
		<category><![CDATA[continuidade]]></category>
		<category><![CDATA[dilma rousseff]]></category>
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		<category><![CDATA[um ano de governo dilma]]></category>

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		<description><![CDATA["Acho que há essencialmente uma continuidade", disse à BBC Brasil o historiador americano John French, professor da Duke University, na Carolina do Norte.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Após um início de governo marcado pela expectativa de que mudaria o rumo da política externa brasileira, a presidente Dilma Rousseff completará um ano no poder sem grandes diferenças em relação a seu antecessor, dizem analistas consultados pela BBC Brasil.</p>
<p>&#8220;Acho que há essencialmente uma continuidade&#8221;, disse à BBC Brasil o historiador americano John French, professor da Duke University, na Carolina do Norte.</p>
<p>A manutenção da política externa adotada no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de não surpreender, contradiz a ideia de mudança de rumo que começou a ganhar força, principalmente no exterior, logo após a eleição de Dilma e ainda antes da posse.</p>
<p>Em dezembro do ano passado, Dilma deu uma entrevista ao jornal americano The Washington Post na qual criticava a posição do governo Lula de se abster em uma votação na ONU que condenava o Irã por abusos de direitos humanos.</p>
<p>Essas declarações provocaram uma onda de análises na imprensa estrangeira, que viu na entrevista mostras de que a nova presidente iria romper com as políticas de seu antecessor e dar mais atenção à questão dos direitos humanos na política externa.</p>
<p>A expectativa foi reforçada em março deste ano, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, quando o Brasil votou a favor da criação de uma relatoria especial para investigar a situação dos direitos humanos no Irã.</p>
<p>No entanto, apesar da aparente sinalização inicial de mudança, nesta semana o Brasil voltou a se abster em uma votação na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que condenou violações de direitos humanos no Irã.</p>
<p><strong>Padrão histórico</strong></p>
<p>Essa foi a 9ª resolução anual sobre direitos humanos no Irã a ser votada na Assembleia Geral e a que teve a maior margem de aprovação: 89 votos a favor, 30 contrários e 64 abstenções, entre elas a do Brasil.</p>
<p>&#8220;Tudo levava a crer que o Brasil votaria a favor&#8221;, disse à BBC Brasil a coordenadora de Política Externa da ONG Conectas, Camila Asano, para quem a votação &#8220;reforça o caráter incoerente da política externa brasileira&#8221;.</p>
<p>A votação, porém, apenas repete o padrão histórico adotado pelo Brasil, que também se absteve na votação que aprovou essa mesma resolução na Terceira Comissão da Assembleia Geral, em novembro.</p>
<p>Há uma década que a diplomacia brasileira se abstém nas votações de relatórios sobre a situação de direitos humanos no Irã no âmbito da ONU em Nova York. A única exceção ocorreu em 2003, no início do governo Lula, quando o Brasil votou a favor de uma resolução.</p>
<p>&#8220;O Brasil tem mantido sua posição de não intervenção, de respeito absoluto da soberania&#8221;, disse à BBC Brasil o presidente emérito do instituto de análise política Inter-American Dialogue, Peter Hakim.</p>
<p><strong>Síria e Líbia</strong></p>
<p>As posições brasileiras em relação ao Irã chamam a atenção pelo fato de o assunto ter ocupado bastante destaque na diplomacia do fim do governo Lula. O então presidente viajou ao país persa e recebeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad em Brasília.</p>
<p>Lula também ajudou a costurar um acordo para tentar impedir que o Conselho de Segurança aprovasse sanções contra o Irã em razão de seu programa nuclear. As sanções acabaram sendo aprovadas mesmo contra a vontade do Brasil, e a ação brasileira gerou mal-estar com outros países, especialmente os Estados Unidos.</p>
<p>No entanto, mesmo em outros temas, como as crises na Síria ou na Líbia, a atuação brasileira no primeiro ano do governo de Dilma não trouxe grandes mudanças em relação a seu antecessor.</p>
<p>O Brasil se absteve na votação no Conselho de Segurança, em março, que aprovou uma ação militar na Líbia sob a justificativa de proteger civis. Também demorou a reconhecer os rebeldes líbios que derrubaram o governo de Muamar Khadafi e assumiram o poder.</p>
<p>&#8220;A questão da Líbia poderia ser vista como um teste sobre se a política externa do governo Lula era uma característica pessoal dele e se o governo de Dilma iria retornar a uma política externa antiga, mais alinhada com as potências dominantes&#8221;, diz French.</p>
<p>Segundo o historiador, no fim a postura do Brasil em relação à Líbia foi consistente com a política externa do governo Lula.</p>
<p>O Brasil também não foi favorável a sanções contra a Síria em votações no âmbito do Conselho de Segurança da ONU – já que nesse fórum há o risco de que resoluções resultem em ação militar, como ocorreu no caso da Líbia.</p>
<p><strong>Estilo</strong></p>
<p>Mas se os rumos da política externa permaneceram os mesmos no governo Dilma, analistas observam uma mudança de estilo em relação a Lula.</p>
<p>Dilma recebeu o presidente americano, Barack Obama, em Brasília, viajou à China e à Europa e foi a primeira mulher a discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU, em setembro.</p>
<p>No entanto, segundo analistas, sua atuação internacional é tímida se comparada à de Lula, considerado &#8220;uma estrela&#8221; no exterior.</p>
<p>&#8220;Lula amava política externa. Creio que Dilma não vê seu papel da mesma maneira&#8221;, disse à BBC Brasil o diretor do programa de estudos da América Latina da Universidade Johns Hopkins, Riordan Roett.</p>
<p>&#8220;Acho que ela está muito mais preocupada com questões domésticas, escândalos de corrupção, demissões de ministros, a situação econômica e votações difíceis no Congresso&#8221;, afirma.</p>
<p>Da <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/12/111221_dilma_politica_externa_ac.shtml">BBC Brasil</a></p>
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		<title>Um ano de Dilma e a ascensão do Brasil</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 13:34:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>imprensa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Lula foi astuto na escolha de sua sucessora e protegeu o país do retrocesso neoliberal. E a presidenta, com sua própria liderança, tem superado desaforos e dificuldades.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os críticos mais à esquerda podem condenar a atitude de Lula, em sua primeira campanha e na condução dos dois governos, mas os resultados é que contam. Como dizia Marx, o critério da verdade é a prática. As concessões aos neoconservadores deram ao presidente espaço e tempo para trabalhar no seu objetivo maior. Lula trazia, com seu passado, o compromisso quase obsessivo de lutar contra a miséria. Nos primeiros anos, talvez supusesse que isso fosse possível a ferro e fogo. Pouco a pouco, aprendeu o jogo necessário da política: contra a força é necessária a astúcia.</p>
<p>Foi assim que, na busca de seu projeto, fez as alianças indicadas pelas circunstâncias. Como líder sindical, não fazia distinção entre os patrões, fossem nacionais, fossem estrangeiros; como líder de um partido, compreendeu que era preciso moderar o discurso. A isso foi aconselhado pela própria experiência, mas possivelmente também influenciado pela ala mais pragmática de seu grupo. Foi assim que Lula decidiu firmar documento assumindo o compromisso de respeitar todos os acordos assumidos anteriormente em nome do Estado, entre eles o das privatizações.</p>
<p>Ao convocar o empresário e político José Alencar, além de situar-se bem com os setores industriais, sempre inconformados com a voracidade do sistema financeiro, teve a sabedoria de ter um mineiro, com suas qualidades, como companheiro de chapa. Para sossegar os banqueiros, que temiam perder o controle do Banco Central, entregou o órgão a Henrique Meirelles. Trouxe ainda os empresários para o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no qual puderam, e podem, defender interesses específicos de classe. E reduziu, embora não tenha eliminado, a sua ação conspiratória contra o governo chefiado por um proletário autêntico.</p>
<p>O primeiro passo foi retirar os pobres da miséria absoluta e secular, mediante a política direta de ajuda às famílias assoladas pela fome. Não foi difícil a ele chegar à equação singela: mais dinheiro na mão dos pobres significa mais consumo; mais consumo, mais emprego; mais emprego, mais consumo e mais empregos: enfim, o desenvolvimento geral da economia. O resultado é que todos ganharam, e muitos empresários perceberam que seus lucros crescem à medida que a renda nacional é mais bem distribuída e o mercado interno aumenta.</p>
<p>Ao mesmo tempo, Lula usou a plenitude da sabedoria nas viagens ao exterior. Como todos os meninos pobres e inteligentes, teve de negociar desde cedo, com os outros e com as circunstâncias: com irmãos mais velhos, com companheiros de trabalho e chefes, com os patrões. A virtude obtida na adversidade levou-o a quebrar a resistência dos governantes mundiais – ao contrário de Fernando Henrique, que pretendia conquistar os donos do mundo com a subserviência de sua diplomacia. Lula estava poupado, por exemplo, de citar Weber.</p>
<p>Dilma herdou um projeto contundente de combate à pobreza e às desigualdades, mas também um ambiente de difícil relação com o Parlamento</p>
<p>Comunicava-se com alma. Não tinha por que se curvar. O povo, ao elegê-lo, fizera-o igual a qualquer outro governante do mundo e permitia-lhe até, sem faltar à elegância, substituir os ritos rígidos do protocolo pela afetividade de quem respeita no outro alguém igual a si mesmo.</p>
<p>Reconhecimento</p>
<p>Foi um Brasil novo, menos desigual no plano interno e mais respeitado no plano externo, que Lula entregou a Dilma Rousseff, moça da classe média de Belo Horizonte, já combatente contra a ditadura em um tempo em que Lula, dois anos mais velho, ainda não se interessava pela política. Dilma manteve todos os compromissos de Lula, mas é certo que não se trata de um clone do antecessor. Ela é senhora de ideias próprias e de biografia bem diferente, sobretudo no que se refere à atuação política. Exilada de Minas no Rio Grande do Sul, optou por seguir Leonel Brizola e se inscreveu no PDT, fez carreira na Prefeitura de Porto Alegre antes de participar do governo do estado – e de entrar para o Partido dos Trabalhadores.</p>
<p>Na escolha de Dilma, houve outro ato sábio de Lula. Só uma figura nova, de seu núcleo pessoal de confiança, provada como boa administradora e firme no comando, poderia unir, como uniu, o partido. Ao evitar expor a sucessão a riscos de dissidências internas, viabilizou a vitória que não permitiu o retrocesso neoliberal.</p>
<p>Dilma herdou de Lula as dificuldades para a manutenção do apoio parlamentar, necessário aos atos de governo. Sem partidos com programas ideológicos definidos, a verdadeira representação parlamentar é corporativa. As corporações – como a Febraban (federação dos bancos) e as multinacionais, nisso as mais ativas – trabalham primeiro para situar seus delegados na hierarquia dos partidos, na relatoria dos projetos mais importantes e no domínio das comissões do Congresso para, em seguida, fazê-los, mediante os partidos, ministros de Estado.</p>
<p>Ao assumir o governo, Dilma procurou manter a equipe de Lula quase integralmente. Foi então que enfrentou a primeira crise, no caso do ministro Antonio Palocci, que a substituíra na chefia da Casa Civil. Não havia como preservá-lo, depois de suas infelizes explicações públicas. A partir de então, intensificaram-se as denúncias contra outros ministros. Ela agiu com prudência, dando aos acusados a oportunidade de se explicar. Com Nelson Jobim, ela atuou rapidamente, porque, não estando acusado de nenhum ato ilícito – embora o Ministério da Defesa não esteja livre de suspeitas a serem investigadas –, o político gaúcho desafiara, com desaforo, a autoridade de seu governo. Essa autoridade da presidenta é reconhecida nos setores lúcidos da oposição.</p>
<p>No plano externo ela vem mantendo a nossa independência de julgamento e a aliança com os países que se encontram em situação semelhante à nossa, como China, Rússia, Índia, África do Sul e, mais recentemente, Turquia. É provável que a sua percepção de estratégia econômica seja mais acentuada. Ela já deu sinais nesse sentido, ao propor novo estatuto para a defesa das empresas realmente nacionais.</p>
<p>Na América do Sul, desenvolve o projeto da unificação política do continente, tendo o Mercosul como o instrumento de ação. O Brasil vem enfrentando, com êxito crescente, a crise mundial, que é política, embora se expresse na economia. É preciso registrar que o nosso país, sob Dilma, elevou sua posição, interna e externa, conforme registram os indicadores nacionais e internacionais.</p>
<p>As dificuldades que a presidenta venceu este ano a preparam para a reestruturação do governo no início do novo ano, de eleições municipais das quais dependerá o pleito presidencial de 2014. Dilma, ao que os fatos assinalam, irá conduzir o país no mesmo rumo, mas com sua própria forma de ver e entender o mundo, e isso se verá na composição de seu novo ministério.</p>
<p>Da <a href="http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/66/mauro-santayana">Rede Brasil Atual</a></p>
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		<title>Dilma: &#8216;Qualquer malfeito ou corrupção terá tolerância zero&#8217;</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 16:48:14 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[RELAÇÃO ENTRE GOVERNO E PARTIDOS BASE]]></category>

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		<description><![CDATA[Em café da manhã com jornalistas, presidenta prometeu trabalhar para evitar que crises políticas voltem a atingir o governo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Prestes a concluir seu primeiro ano no Palácio do Planalto, a presidenta <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/dilmarousseff">Dilma Rousseff</a> prometeu trabalhar para evitar que novas crises políticas se instalem no governo. Dilma, que realizou nesta manhã um café da manhã com jornalistas que cobrem a Presidência da República, <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/dilma-perde-setimo-ministro-em-menos-de-um-ano-de-governo/n1597396264381.html">perdeu sete ministros desde o início da gestão</a>, seis deles por suspeita de envolvimento em irregularidades e esquemas de corrupção.</p>
<p>A presidenta reconheceu que não pode garantir à população brasileira que episódios como esses não se repetirão, mas avisou que não vai tolerar práticas irregulares. &#8220;Vou dizer: qualquer prática de malfeito ou corrupção é tolerância zero&#8221;, afirmou Dilma. &#8220;Não tem como dizer se em algum momento no futuro isso vai ocorrer de novo. Mas asseguro que vou tomar todos os cuidados para que isso não aconteça”, completou. Confira abaixo os principais pontos do encontro de Dilma com a imprensa.</p>
<p><strong>DEMISSÃO DE MINISTROS</strong><br />
“Tem de preservar a integridade do governo. Não posso apedrejar pessoas, fazer julgamento sem direito de defesa. (&#8230;) Há pessoas que se sentem tão cercadas que saem mesmo sem ter responsabilidade, como foi Alceni Guerra (ministro da Saúde no governo Collor, acusado em esquema de corrupção e depois inocentado). (&#8230;) Mas vou dizer: qualquer prática de malfeito ou corrupção é tolerância zero. (&#8230;) Não tem como dizer se em algum momento no futuro isso vai ocorrer de novo. Mas asseguro que vou tomar todos os cuidados para que isso não aconteça.”</p>
<p><strong>RELAÇÃO ENTRE GOVERNO E PARTIDOS BASE</strong><br />
“Cada vez mais, vou exigir que os critérios de governança interna sejam exclusivamente do governo e que nenhum partido político interfira nas relações internas do governo. Uma coisa é governabilidade, e os partidos têm que participar e indicar ministros. Mas, uma vez indicado, ele presta contas ao governo e a mais ninguém.”</p>
<p><strong>PROFISSIONALIZAÇÃO DA MÁQUINA PÚBLICA</strong><br />
&#8220;Temos que fazer o processo de profissionalização do Estado brasileiro. Falo em modificação do funcionário do governo. Numa valorização do funcionário, mas com exigência de eficiência. Preciso, como governo federal, de um Estado que seja ágil. Esse é o grande desafio.&#8221;</p>
<p><strong>REAJUSTE DO JUDICIÁRIO</strong><br />
“O reajuste do Judiciário está no Congresso. O que eu tinha de fazer eu fiz. Fui a público. Disse que não dá isso, não dá aquilo. Tem um nível de desgaste. O Brasil se fragilizaria se começássemos a gastar por conta. (&#8230;) Não faço análise sobre Poderes.”</p>
<p><strong>CRISE ECONÔMICA</strong><br />
“Estou otimista quanto à economia. O cenário para o ano que vem é de crescimento entre 4,5% e 5% do PIB e controle da inflação. (&#8230;) Temos que olhar a crise como uma oportunidade de acelerar nosso crescimento. (&#8230;) A questão que me permite dizer que sou otimista é que o Brasil está com situação melhor, pois temos recursos próprios para enfrentar este momento e temos mais do que tínhamos antes, pois o processo é cumulativo e aprendemos com a crise de 2009. Ao contrário de outros países, que quando a coisa aperta têm de ir para o Orçamento, nós não precisamos, pois temos os depósitos compulsórios.”</p>
<p><strong>MEIO AMBIENTE E CRESCIMENTO</strong><br />
&#8220;O Brasil tem que provar que existe uma ficção de que o meio ambiente é um obstáculo para o crescimento econômico, precisamos provar que isso não é real.&#8221;</p>
<p><strong>MULHER NA PRESIDÊNCIA</strong><br />
“Olhar feminino tem uma importância. Eu diria que ele foi importante quando vemos programas para o enfrentamento das drogas. Ou  tamanho das janelas do Minha Casa Minha Vida, o azulejo&#8230;Tem muito olhar feminino no Programa de estímulo a pessoas com deficiência, ou quando cobro o Padilha (Alexandre Padilha, ministro da Saúde) sobre câncer de colo de útero e mama.&#8221;</p>
<p><strong>OPOSIÇÃO</strong><br />
&#8220;Neste ano, nos países do mundo, a relação entre oposição e situação foi incivilizada, até deletéria, como no episódio da votação do teto de endividamento dos Estados Unidos. Acredito que é preciso estender a mão civilizadamente para a oposição. Acredito muito na relação civilizada. Não precisa ter a mesma posição, mas capacidade de entender. E se pode ter outras posições. E sempre me dispus a ter. E considero também muito boa a relação com os governadores dos partidos de oposição.&#8221;</p>
<p><strong>POLÍTICA EXTERNA</strong><br />
&#8220;Devemos continuar cada vez mais a relação com a África. Neste ano, só pude ir à Subsaariana, mas acho importante a África do Norte e estarei lá ano que vem. O Brasil deve ter visão multipolar da política externa. Isso não significa que não mantenhamos relações com os Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China). Todos nós dos Brics nos dispusemos a emprestar para o FMI (Fundo Monetário Internacional), para ser mais um elemento do muro corta-fogo da crise europeia.&#8221; (&#8230;) &#8220;Considero importante relação com a União Européia. Tivemos sempre uma posição de ajudar, de solidariedade. Não tivemos nenhum momento de soberba pois sabemos o que é um ajuste fiscal sem luz no fim do túnel.&#8221;</p>
<p><strong>IMPRENSA</strong><br />
&#8220;Cada vez que há esse processo (de crise política) eu estou lançando os melhores programas de governo e vocês (jornalistas) pensando em outra coisa. Lanço o Brasil sem Miséria e vocês pensando em outra coisa. Estou lançando o Brasil Maior e vocês pensando em outro assunto. É como se tivesse dois brasis. Obviamente eu acho que escândalo vende mais jornal&#8221;.</p>
<p><strong>O MAIS DIFÍCIL<br />
</strong>&#8220;O que eu acho mais difícil no governo não foi isso (de lidar com crise política), mas a questão econômica. É sempre a questão econômica. Acho que a questão social é difícil, mas é um desafio que nós temos hoje certa capacidade e conhecimento para tratar.&#8221;</p>
<p><strong>&#8216;PRIVATARIA TUCANA&#8217;</strong> (livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr.)<br />
Eu não li nem o meu (<a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/livro-traz-foto-de-dilma-rousseff-em-interrogatorio-em-1970/n1597394873128.html">A Vida Quer é Coragem</a>, biografia recém-lançada da presidenta, assinada pelo jornalista Ricardo Amaral).</p>
<p>Do <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/dilma-qualquer-malfeito-ou-corrupcao-tera-tolerancia-zero/n1597413128412.html">Último Segundo</a></p>
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		<title>Vitória de Dilma, Vitória da democracia</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Nov 2010 19:28:47 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Dilma enfrentou uma campanha de ódio e preconceito, de fundamentalismo religioso e de falso moralismo, que reeditou as piores práticas do udenismo. Apesar disso, pautou-se pelo debate programático e pela defesa do governo Lula.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Rui Falcão</strong></em>*</p>
<p>No mesmo dia de sua vitoriosa eleição &#8212; a primeira de uma mulher na história do Brasil &#8211;, Dilma Rousseff deu mostras de como será o seu governo, de continuidade e avanços em relação ao do presidente Lula. Em primeiro lugar reafirmou seu compromisso com os pobres e, em seguida, acenou a mão para a oposição, dispondo-se a conduzir uma política de conciliação nacional, não fazendo distinção entre vencedores e vencidos.</p>
<p>Até chegar a este dia, foi uma longa caminhada. Enfrentou uma campanha de ódio e preconceito, de fundamentalismo religioso e de falso moralismo, que reeditou as piores práticas do udenismo. Apesar disso, pautou-se pelo debate programático e pela defesa do governo Lula, cuja aprovação, superior a 80% , alavancou o resultado final, que também muito se deveu ao desempenho da então candidata.</p>
<p>A nova presidenta, que, antes mesmo da posse, já discute com os líderes do G-20 uma alternativa para a guerra cambial, inicia seu mandato com uma maioria parlamentar confortável. Incluída a bancada petista, a maior da Câmara, com 88 deputados, a coalizão governista elegeu 375 dos 513 representantes, 58 dos 81 senadores e 17 dos 27 governadores.</p>
<p>Dilma superou Serra por mais de 12 milhões de votos e conquistou a maioria do eleitorado porque foi capaz de mostrar à população que o processo de transformações sociais, políticas, econômicas e culturais, inaugurado pelo presidente Lula, só terá continuidade com a participação de todos, focando na agenda do desenvolvimento com inclusão social, distribuição de renda e geração de empregos.</p>
<p>Constituído o novo governo, o maior desafio da presidenta Dilma será o de erradicar a miséria &#8211; o compromisso fundamental que foi seu mantra de campanha. Mas a pauta não se esgota aí: há também a urgência das reformas política e tributária.</p>
<p>A primeira, para resgatar o papel da política  na vida nacional, desprestigiada que tem sido por escândalos e falhas no sistema de representação. Incluem-se nela o financiamento público das campanhas eleitorais e o sistema do voto em lista.</p>
<p>No caso das mudanças tributárias, Dilma já se propôs a desonerar os investimentos produtivos, para manter o ritmo do crescimento econômico, a ampliar o Super Simples e a equacionar as disputas regionais em torno do ICMS, a chamada guerra fiscal.</p>
<p>Na agenda de 2011 há também o prosseguimento das obras dos PAC 1 e 2, da duplicação do Minha Casa, Minha Vida (2 milhões de novas moradias), da amplicação dos investimentos em saúde, educação e segurança pública.</p>
<p>Não menos importante na escala dos compromissos de governo é a valorização da democracia e dos direitos humanos: desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais básicos da alimentação, do emprego, da renda, da moradia digna e da paz social.</p>
<p>Capacidade, história, determinação e vontade política não faltam à presidenta Dilma e, como ela mesmo reconhece, “quando se governa pensando no interesse público, uma imensa força brota do povo e nos ajuda a governar”.</p>
<p><em>* É deputado estadual de São Paulo pelo PT e vice-presidente nacional do Partido.</em></p>
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		<title>Brasil alia &#8220;não intervenção&#8221; e &#8220;não indiferença&#8221; na política externa, diz Celso Amorim na USP</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 19:06:43 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O chanceler falou nesta sexta-feira, 13/08, a uma platéia no auditório do Instituto de Estudos Avançados (IEA), da Universidade de São Paulo, sobre comércio internacional, mudanças climáticas e não proliferação de armas nucleares.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta  sexta-feira, 13/08, que a política externa brasileira, nos sete anos em  que esteve à frente da chancelaria, baseou-se em dois princípios: “não  intervenção e não indiferença”.</p>
<p>O chanceler falou a uma platéia de cerca de 60 pessoas no  auditório do Instituto de Estudos Avançados (IEA), da Universidade de  São Paulo. Tratou de temas variados, comércio internacional, mudanças  climáticas e não proliferação de armas nucleares. O evento contou com a  presença de Carlos Eduardo Lins da Silva, editor da revista Política  Externa, e Mário Marconini, presidente do Conselho de Relações  Internacionais da Fecomércio como debatedores.</p>
<p>Amorim começou sua fala relembrando o cenário da política externa  brasileira no início da sua atuação no ministério em 2003: havia forte  tensão na Venezuela por conta do plebiscito para decidir a continuidade  ou não do governo Chávez e a segunda guerra do Iraque havia começado.  Naquele momento, havia um menor protagonismo do Brasil no cenário  internacional.</p>
<p>O país também tinha de lidar com as negociações, que por fim não deram  resultado prático, para a implantação da Área de Livre Comércio das  Américas (Alca). Lula, em seu primeiro ano de mandato, dizia que o  Mercosul e a integração sul-americana seriam prioridades de governo.  Amorim relembrou que discutiu com Lula, na época, o deslocamento de  negociadores para o Mercosul, pois havia quatro vezes mais pessoas  trabalhando nos temas relativos à Alca”.</p>
<p>O acordo da Alca, contou ele, esteve bem mais próximo do que se  imagina. Segundo Amorim, a principal dificuldade não foi negociar com os  Estados Unidos, mas, sim, m obter consenso entre os membros. A  Venezuela era a principal opositora. “Gastei mais tempo conversando com  os negociadores venezuelanos para não impedir um consenso do que com os  embaixadores americanos”, revelou.</p>
<p>A demora do Brasil em apresentar uma proposta concreta para a Alca  aconteceu porque queríamos saber quais as vantagens reais que  obteríamos dos outros países, disse o chanceler. “Percebi um fortíssimo  desequilíbrio: o Brasil cedia em áreas como propriedade intelectual,  serviços e outras áreas sensíveis e havia pouca contrapartida”. O Brasil  decidiu, então, não apresentar uma oferta, pois avaliou que a Alca  apenas replicaria o modelo do Nafta (tratado de livre comércio entre  EUA, Canadá e México).</p>
<p>Então o Brasil apostou na integração continental e na União de  Nações Sul-Americanas (Unasul) como uma maneira de aumentar suas vendas  internacionais. Outra aposta foi num “multilateralismo” comercial:  segundo Amorim, as exportações brasileiras para os países árabes  cresceram quatro vezes. O comércio com a África também apresentou  expansão: “Se a África fosse um país, seria o quarto maior parceiro  comercial do Brasil”, comentou o chanceler.</p>
<p><em>Segurança Internacional</em></p>
<p>Para o ministro, “a área mais  resistente à mudanças nas relações internacionais é a de guerra e  segurança internacional”. De acordo com Amorim, “há relutância das  grandes potências em aceitar outros atores nas negociações”. Ele diz que  “a dificuldade em ampliar o número de assentos no Conselho de Segurança  da Organização das Nações Unidas é prova dessa resistência”.</p>
<p>“O mundo hoje é bastante diferente daquele que existia ao final da  Segunda Guerra Mundial”, resume Amorim. Não é concebível que a  estrutura do Conselho de Segurança se mantenha inalterada, completou.</p>
<p>Essa fala do ministro introduziu a explicação sobre as negociações de  Brasil e Turquia para ajudar a resolução da crise nuclear iraniana.  Amorim diz que era “impensável há coisa de cinco ou 10 anos atrás que  duas potências regionais intermediassem uma negociação complexa como  esta”. Segundo ele, é prova de que o mundo é regido por uma combinação  de forças multipolar.</p>
<p>Para Amorim, o acordo com o Irã tinha todos os pontos que haviam  sido pedidos por países como Estados Unidos, França e pela Agência  Internacional de Energia Atômica (AIEA). “É mais fácil que um país como o  Irã ouça outras nações com mais proximidade do que uma potência  global”, completou.</p>
<p>Amorim cita o exemplo do Zimbábue: “Não há como negar que as  condições lá estejam melhores do que há dois anos. É muito mais fácil  que eles ouçam ao Brasil ou aos países da Comunidade para o  Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês) do que  França ou Inglaterra, sua antiga colonizadora”.</p>
<p><em>Clima e comércio exterior</em></p>
<p>Em resposta a Mario Marconini, da  Fecomércio, Amorim disse que “serão necessário esforços” políticos para  melhorar as negociações na Organização Mundial do Comércio, “pois o  sistema multilateral nem sempre funciona de modo adequado”. O ministro  criticou, ainda, a postura dos governos George W. Bush e Barack Obama  diante das pressões do Congresso norte-americano: “Cabe aos presidentes  liderar esse processo no âmbito interno”.</p>
<p>Segundo Amorim, houve pouco avanço nas negociações climáticas da  CoP-15, acontecida em dezembro passado em Copenhague. “Há necessidade de  maior liderança e compromisso por parte dos EUA e da União Européia”,  disse ele.</p>
<p>De acordo com o chanceler, “os países devem oferecer as maiores  metas possíveis para a redução dos gases de efeito-estufa”. Para Amorim,  melhorar as metas do clima é melhorar a sociedade e melhorar a  competitividade das nações. “Daqui em diante, quem não tiver preocupação  com esses temas, terá dificuldade nas negociações de comércio exterior.  Produtos que não agridam o ambiente levarão vantagem”, finalizou.</p>
<p>(Do Opera Mundi.)</p>
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		<title>Dilma afirma que &#8220;política externa não se faz com o fígado&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 19:41:21 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, rechaçou, durante almoço com Grupo de Líderes Emresariais (Lide), que reuniu 486 empresários, o uso de retórica violenta na política externa brasileira por governantes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="SearchKey_Text1">
<p><strong><em>Por Claudio Leal</em></strong></p>
<p>A candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, rechaçou, durante  almoço com Grupo de Líderes Emresariais (Lide), que reuniu 486  empresários, o uso de retórica violenta na política externa brasileira  por governantes. Em uma referência indireta ao oponente José Serra, que  criticou o Mercosul, a Venezuela e a Bolívia em recentes entrevistas,  Dilma afirmou: &#8220;política externa não se faz com o fígado&#8221;.</p>
<p>A petista  respondeu a uma pergunta de empresários sobre a relação do Brasil com o  Irã e a Venezuela. &#8220;Política externa a gente faz com a cabeça. Sou  contra qualquer prisão de consciência. Sou contra prisão política. Mas  não se faz política externa impondo a país nenhum o seu modelo&#8221;. Nesse  momento, ela se referiu às intervenções mal sucedidas dos Estados Unidos  no Iraque e no Afeganistão.</p>
<p>Como exemplo da diplomacia brasileira,  citou a questão da invasão da Petrobras na Bolívia. &#8220;Tivemos uma posição  fraterna, mas rígida. Fomos integralmente ressarcidos no nosso  contrato&#8221;.</p>
<p>Em uma outra pergunta polêmica da plateia de empresários (para ingressar  no Lide é necessário ter lucro líquido de R$ 200 milhões) ela se  posicionou sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST),  chamado de &#8220;acintoso&#8221; e &#8220;perigoso&#8221; pelos empresários, dentre os quais,  Horácio Lafer Piva.</p>
<p>&#8220;Movimento é movimento. Governo é governo. Não sou  do MST, vocês já perceberam. Não podemos compactuar com a ilegalidade.  Invadir edifícios públicos não está certo. Também não vamos reprimir o  movimento quando ele estiver reivindicando somente.&#8221;</p>
<p>(Do Terra Notícias.)</p>
</div>
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		<title>Eleições presidenciais no Brasil: Oposição tenta &#8216;estratégia republicana&#8217; na política externa</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 19:59:57 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Lula e seu ministro das Relações Exteriores Celso Amorim estão lutando para evitar uma outra horrível e desnecessária guerra no Oriente Médio; e pelo benefício da solidariedade, independência, e integração regional na América do Sul. O mais provável é que esta mensagem positiva ganhe mais votos no Brasil.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Mark Weisbrot</strong></em>*</p>
<p>Há quatro anos, quando o governo de Evo Morales renacionalizou a indústria de hidrocarbonetos, a mídia brasileira estava buscando uma briga. A final de contas, a Petrobras tinha interesses estratégicos por lá. Mas o presidente Lula estava calmo. “Eu não briguei nem com o George W. Bush”, disse à imprensa. “Por que deveríamos brigar com Evo?”</p>
<p>Em quatro meses, o Brasil vai eleger um novo presidente. Até agora, o candidato José Serra do PSDB tem mostrado mais interesse neste tipo de briga. Mês passado, ele declarou: &#8220;A cocaína vem de 80% a 90% da Bolívia . . .Você acha que a Bolívia iria exportar 90% da cocaína consumida no Brasil sem que o governo de lá fosse cúmplice? Impossível. O governo boliviano é cúmplice disso.”</p>
<p>Ele também atacou os esforços de mediação brasileira e as relações com o Irã, e indicou que iria enfraquecer o Mercosul. Serra está concorrendo com a candidata do PT Dilma Rousseff, ex-ministra de Minas e Energia e Chefe da Casa Civil do presidente Lula, que defende veementemente a política externa do governo.</p>
<p>A direita brasileira também tem sido hostil com a Venezuela, com senadores atrasando a entrada do país no Mercosul por mais de três anos e dando voz à propaganda norte-americana contra o presidente Hugo Chávez. Assim como nos Estados Unidos, a grande mídia tem apresentado uma caricatura da Venezuela e do governo Chávez, com alguma influência sobre a opinião pública. Até agora, Serra evitou atacar a Venezuela. Talvez porque saiba que Chávez poderia reagir e pressionar para que assuntos de política externa ganhem maior destaque na campanha do que Serra deseja. Nas eleições dos últimos anos no Peru, México, El Salvador, Nicarágua, e outros países, os candidatos de direita &#8211; bem sucedidos nas duas primeiras disputas &#8211; literalmente fizeram campanha como se Chávez fosse o opositor deles. É pouco provável que o PSDB queira que este seja o centro de sua campanha; não conseguiria votos de muitos brasileiros.</p>
<p>De fato, o PSDB está  sobre a corda bamba. Houve uma tremenda transformação histórica na América Latina, especialmente na América do Sul, na última década. A região tornou-se muito mais independente dos EUA, e claramente se beneficiou desta enorme mudança. Apesar de haver uma poderosa parte das elites política e midiática brasileiras, que está desconfortável com essas mudanças e gostaria de retornar à aconchegante relação anterior com Washington, isso seria arriscado. O PSDB não gostaria de ser visto como o partido que ficou do lado errado dessa histórica transição.</p>
<p>Até mesmo em relação à Bolívia, a maioria dos eleitores que o PSDB quer atingir  provavelmente entenderia que não faz sentido atacar a Bolívia pelo comércio ilegal de drogas no Brasil. O governo de Evo Morales tem lutado contra o tráfico de drogas com mais eficiência e menos corrupção que seus antecessores; há uma clara distinção para o governo Morales entre coca, um suave e legal estimulante que há seculos faz parte da cultura boliviana, e cocaína. Tente dizer aos americanos que parem de tomar café. Se o Brasil quiser reduzir o tráfico de drogas, vai encontrar na Bolívia um parceiro. Se a  fracassada “guerra às drogas” de Washington, que já dura décadas, conseguiu provar alguma coisa, fica claro que o tráfico de drogas é em larga escala um problema do lado da demanda, e que a erradicação de uma fonte de fornecimento leva simplesmente a uma mudança geográfica da produção.</p>
<p>Não está claro se os ataques de Serra aos esforços diplomáticos de Lula no Oriente Médio vão ser bem sucedidos daqui pra frente. O acordo nuclear que Brasil e Turquia negociaram com o Irã no mês passado foi um grande divisor de águas na diplomacia internacional. Foi também exatamente o que Obama havia pedido que Lula tentasse organizar três semanas antes. O governo brasileiro teve que vazar uma carta enviada por Obama para provar o caso, depois que a Secretária de Estado Americano Hillary Clinton reagiu com hostilidade ao acordo. Ainda assim, o resultado final é que o Brasil ajudou a preservar um espaço para um acordo num momento em que a administração Obama está cedendo a pressões de parlamentares de direita no congresso &#8211; que querem que ele abandone essa estratégia, aumentando assim as chances de um confronto militar. Ainda que alguns colunistas tenham reclamado, a administração Obama teve que aceitar os esforços do Brasil sem nenhuma pista de que a relação bilateral entre os dois países seria afetada negativamente.</p>
<p>José Serra não  é um político de direita por natureza; como ministro da saúde ele enfrentou poderosas empresas farmacêuticas estrangeiras que tinham o apoio dos EUA para assegurar preços mais baixos para medicamentos genéricos essenciais.</p>
<p>A resposta é que provavelmente a economia melhorou muito mais durante os oito anos de governo Lula do que em relação aos oito anos anteriores de PSDB, incluindo o crescimento. Com significativos aumentos reais no salário-mínimo, uma expansão do programa bolsa família e crédito imobiliário para compradores de menor poder aquisitivo, não será muito fácil fazer campanha contra Dilma e o Partido dos Trabalhadores em termos econômicos.</p>
<p>Os republicanos nos EUA há  muito tentam alcançar os eleitores indecisos por meio de campanhas desvinculadas dos temas econômicos, incluindo a falsa tese de que o partido deles é mais “duro” em assuntos de política externa. Foi a melhor estratégia que conseguiram encontrar nas últimas quatro décadas. É claro que quando a recessão finalmente forçou estes eleitores a prestar mais atenção em assuntos econômicos em 2008, eles perderam tudo.</p>
<p>Mas o Brasil não são os Estados Unidos. Lula e seu ministro das Relações Exteriores Celso Amorim estão lutando para evitar uma outra horrível e desnecessária guerra no Oriente Médio; e pelo benefício da solidariedade, independência, e integração regional na América do Sul. O mais provável é que esta mensagem positiva ganhe mais votos no Brasil.</p>
<p><em>* Doutor em economia pela Universidade de Michigan, é codiretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington, E.U.A.</em></p>
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		<title>Lula, o brasileiro</title>
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		<pubDate>Thu, 20 May 2010 19:06:49 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Acho até que Lula não é apenas o mais importante presidente de nossa história, mas talvez seja um dos mais relevantes brasileiros de nossa história. Parafraseando a Obama, Lula é “o” brasileiro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Pedro Estevam Serrano</strong></em></p>
<p>O acordo tripartite Brasil-Irã-Turquia tem, para nós brasileiros, um sentido histórico inegável e apenas timidamente  reconhecido por uma mídia nacional, que de tamanha má vontade com nosso presidente já  abalou sua credibilidade informativa com parte significativa da mídia global.</p>
<p>Talvez o Irã não cumpra o acordado, como afirmam as grandes potências, talvez a guerra seja inevitável. Mas há uma dimensão da  situação que é certamente inescapável, como afirmam analistas e experts entrevistados  pelo portal de notícias UOL. O Brasil passará a ter outro papel na geopolítica  global, independentemente até de seu presidente. Estranhamente a mídia não  anunciou que passávamos a ocupar um papel relevante no globo por conta também da  habilidade de nosso presidente, mas agora anuncia que não dependemos mais dele para  ter tal projeção.</p>
<p>Fazer piada com as frases inusitadas de nosso presidente tem se tornado um estranho e muito positivo vaticínio para nós brasileiros. Brincávamos com os erros de português e com a incultura monoglota de  nosso presidente —como ele poderia se relacionar com líderes mundiais tendo  tamanha ignorância idiomática? Pois o Lula monoglota tratou de ser o presidente brasileiro mais ouvido pelo mundo e seus líderes em toda nossa história.  “O cara” como disse Barack Obama, presidente dos EUA.</p>
<p>Todos nós brincamos com a forma infantil, pouco técnica e até arrogante como Lula tratou a gravíssima crise econômica global que  chagava ao país. “Marolinha”, disse ele, não teria o condão de descontinuar  nosso crescimento. Todos fizemos da expressão uma piada, nossa mídia  inclusive. Pois é, hoje, o governo está adotando medidas para conter o  “super-crescimento” que ocorre este ano. Era marola mesmo.</p>
<p>Muitas foram as piadas sobre a forma anti-democrática como Lula se comportaria forçando com sua popularidade um terceiro mandato,  embora ele negasse veementemente que adotaria tal conduta. Pois é, estamos em  eleições presidenciais. Lula não concorre e se submete tranquilamente às regras  do processo democrático, sem plebiscito bolivariano aclamativo e  autoritário, ou qualquer outra forma de “défict” democrático. Aliás, na normalidade  democrática conquistou mais melhorias sociais e integração de excluídos ao mínimo existencial que muitas ditaduras de esquerda.</p>
<p>Quando Lula partiu rumo ao Irã, as críticas já se apresentaram contundentes e, com elas, as piadas dos ilustrados sobre a  forma singela e supostamente ignorante como Lula se referia a postura do  governo iraniano na questão nuclear. Lula dizia que era importante alguém ir lá conversar com o líder iraniano.</p>
<p>Nenhum douto analista de nossa mídia lembrou do óbvio em diplomacia, do seu instrumento funcional mais primário: a conversa, a negociação. O velho sindicalista, habituado às mesas e rodadas infinitas  de negociação em conflitos trabalhistas foi lá e marcou o nome de nosso  país na principal agenda política global. E fez isso de um jeito simples, sem  rococós acadêmicos ou expressões em inglês ou alemão, mas pelo único meio que  ainda nos resta como humanidade para construirmos a paz e evitarmos a guerra: a  conversa.</p>
<p>No dia seguinte ao acordo histórico, o primeiro dessa envergadura que teve o Brasil como protagonista, o “Estadão” noticiava  em manchete que o líder turco roubou a cena de Lula ao anunciar o acordo.  Estranha forma de selecionar o relevante na informação para formar a manchete.  Forma isenta de se expressar, não?</p>
<p>O Brasil não é uma potência militar, não somos uma sociedade belicosa, nunca precisamos contar com grandes poderios militares para  nossa defesa. O Brasil tem crescido muito economicamente, mas ainda é um país  pobre, sem presença pujante na economia global. Não é por conta de nosso  potencial bélico ou nossa riqueza econômica que passamos a figurar como  protagonistas de questões políticas mundiais.</p>
<p>Temos assumido, por obra de nossa economia em crescimento e de nossa diplomacia “lulista”, um inegável papel de liderança na América  Latina que coloca o país no centro do debate global. Por diversas e diferentes  razões, projetamo-nos como país protagonista no plano global. Mas uma dessas  razões nossa mídia resiste imensamente em reconhecer: a indiscutível habilidade diplomática de nosso presidente monoglota. O carisma insofismável de  Lula é o principal ingrediente de nosso sucesso como país nas relações globais.  Passamos a existir no mundo pelo jeito simples, alegre e até meio debochado de  nosso presidente.</p>
<p>A mídia global nada mais faz que cumprir seu papel jornalístico-profissional, reconhecendo e noticiando o fato. Os  principais e mais relevantes veículos de todo o mundo, com destaque nunca antes dado a  um presidente brasileiro, reconhecem o papel invulgar de Lula no momento  político internacional. Nossa mídia por vezes de forma sutil, outras vezes nem  tanto, parece querer a cada passo desmerecer suas conquistas e, com isso, perde  a oportunidade de ganhar em qualidade ética de jornalismo e, ao mesmo tempo, de  noticiar um momento histórico singular que passamos como nação em toda sua riqueza.</p>
<p>Setores de classe média paulistana, que integro e convivo em meu cotidiano, adquiriam uma visão de tal forma parcial e  ideologicamente antipática a nosso presidente que, como é comum dizer, “se Lula andasse  sobre as águas diriam que ele não sabe nadar”.</p>
<p>Sempre culpabilizamos nossos políticos por nossa pequenez como nação, mas talvez desta vez o mesquinho nos habita. Pela primeira  vez em meu quase meio século de existência, vejo nosso país sendo admirado e  querido pelo mundo. Falta ser querido um pouco mais por nós, brasileiros de  classe média. Afinal, fomos nós, mais que Lula ou qualquer outro, que  construímos esta nação. Nós somos os vitoriosos.</p>
<p>Mais que ninguém a classe média é a base de nosso sucesso como país, fomos nós, consumidores brasileiros, que fizemos o grande  maremoto da crise global virar marola local. Nenhum banco, governo ou organismo internacional nos ajudou. Nós confiamos em nossa economia, em nossa criatividade, em nossa capacidade de gestar futuro e esperança. Sem enfrentamentos violentos. Nós preferimos driblar o “alemão” da crise, parafraseando Garrincha.</p>
<p>Lula e seu governo tiveram erros imensos. A demora em apresentar um plano de direitos humanos, fazendo-o em momento  inoportuno, a ausência de ousadia em radicalizar conquistas sociais universalizando  direitos fundamentais, a falta de uma crítica mais contundente ao autoritarismo  cubano, uma administração medíocre de nossos problemas de infraestrutura e  muitos outros.</p>
<p>Mas nenhum desses erros tem o condão de empecer o que resulta da mais antiga piada quanto a Lula na Presidência. Eu mesmo, por diversas vezes, fiz piada com a famosa frase de nosso presidente “nunca  antes em nossa história”.</p>
<p>Pois é, hoje, sem piada, afirmo, no mesmo sentido do proprietário da empresa de pesquisa Ibope que, independentemente do  resultado de nossa eleição presidencial, nunca antes em nossa história tivemos um presidente tão relevante como Lula. E digo mais: relevante para  nossa  dignidade como nação.</p>
<p>Acho até que Lula não é apenas o mais importante presidente de nossa história, mas talvez seja um dos mais relevantes brasileiros de  nossa história. Parafraseando a Obama, Lula é “o” brasileiro.</p>
<p>(Do Última Instância.)</p>
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		<title>Lula diz que acordo nuclear com Irã é &#8216;uma vitória da diplomacia&#8217;</title>
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		<pubDate>Mon, 17 May 2010 18:45:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>imprensa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse nesta segunda-feira, 17, que o acordo alcançado com o Irã para realizar a troca de urânio na Turquia é "uma vitória para a diplomacia".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>RIO &#8211; O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse nesta segunda-feira, 17, que o acordo alcançado com o Irã para realizar a troca de urânio na Turquia é &#8220;uma vitória para a diplomacia&#8221;.</p>
<p>&#8220;A diplomacia sai vencedora hoje. Creio de que foi uma resposta de que é possível, com diálogo, construir a paz, construir o desenvolvimento&#8221;, afirmou Lula em seu programa radiofônico semanal transmitido pela emissora pública brasileira diretamente de Teerã.</p>
<p>O mandatário brasileiro afirmou que &#8220;não é possível fazer política sem ter uma relação de confiança&#8221; e insistiu que se deve &#8220;crer nas pessoas&#8221;, em alusão à desconfiança que os Estados Unidos e os países europeus mantêm com a república islâmica.</p>
<p>“Há um milhão de razões para termos argumentos para construir a paz e não há nenhuma razão para construirmos a guerra. O Brasil acreditou que era possível fazer o acordo. Mas o que é importante é que nós estabelecemos uma relação de confiança&#8221;, avaliou.</p>
<p>O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorin, também falou sobre o programa e reiterou que o acordo &#8220;deve ser suficiente&#8221; para evitar as sanções ao Irã por parte da comunidade internacional, como já havia dito em uma conferência de imprensa em Teerã.</p>
<p>&#8220;Naturalmente, este acordo não vai resolver todos os pontos que existem na questão nuclear. Mas é o passaporte para que se possa haver negociações mais amplas que aumentem a confiança da comunidade internacional&#8221;, opinou Amorin.</p>
<p>O ministro disse que o Brasil falou com todos os interlocutores, incluindo Estados Unidos, França, Rússia e China, &#8220;levando em conta suas preocupações&#8221; nas negociações.&#8221;</p>
<p>O chefe da diplomacia brasileira considerou que agora o Irã poderá exercer seu &#8220;direito legítimo&#8221; à energia nuclear para fins pacíficos, incluindo a possibilidade de &#8220;enriquecimento&#8221; de urânio.</p>
<p>O acordo é parecido com a proposta formulada pelo grupo 5+1 (os cinco países com assentos permanentes no Conselho de Segurança mais a Alemanha) em outubro passado e permitirá o envio do urânio iraniano para a Turquia, aonde ficará armazenado até que o país persa receba no prazo de um ano 120 quilogramas de urânio enriquecido a 20 por cento.</p>
<p>(EFE.)</p>
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