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14/04/2010 às 16:57h

Rui Falcão compara obras públicas de Lula e Serra

Em segundo discurso na sessão plenária de hoje, 14/04, o deputado Rui Falcão comentou o tratamento diferenciado que os jornais da grande mídia dão aos acontecimentos do governo do Estado e do governo federal.

Ele se remeteu especificamente à forma como tem sido noticiada a construção do Rodoanel. Inaugurado às pressas para atender a fins eleitoreiros do ex-governador Serra, a via já apresenta problemas diversos de sinalização e asfaltamento. Seus poucos mais de 60km de extensão custaram R$ 5 bi dos cofres públicos que, segundo o deputado, deverão ser amortizados através da implantação de onerosos pedágios ao seu longo.

Falcão comparou esses fatos e suas versões à falta de informações ao público nesses jornais sobre a duplicação da BR 101 (que, no trecho paulista, receberá o nome do falecido governador Mário Covas), bancada com verbas federais. A via, que ligará três estados em seu trajeto, sairá a um custo de R$ 1 bi e terá 398km de extensão.

Com esses dados, Falcão concluiu dizendo que o governo federal tem sido capaz de fazer “mais, melhor e mais barato” que o governo de Serra e Goldman, motivo pelo qual a mídia partidarizada, aliada aos tucanos, tem se esforçado por esconder as realizações do governo Lula, bem como os problemas de gestão do tucanato.

Veja o discurso na íntegra abaixo:

Sr. Presidente,

Sras. Deputadas,

Srs. Deputados,

Funcionários, telespectadores, público que acompanha o nosso debate nas galerias,

Os jornalistas sempre prestam um trabalho importante para a sociedade. A eles cabe pesquisar os fatos, mas sempre também buscar não ter uma visão unilateral. Faço essa introdução porque temos visto no nosso país a formação de um verdadeiro partido político na mídia, que se intitula o Quarto Poder. É um partido de pensamento único. Não se trata dos jornalistas, que têm a sua ética, a sua forma de atuação e seu trabalho, frequentemente mal remunerados, mas do império da comunicação, aqueles que pretendem formar a opinião pública. Na verdade formam opinião em torno de seus interesses empresariais, alguns legítimos, outros nem tanto, mas aos jornalistas também que nos municiam com informações interessantes que, às vezes, nos passam despercebidas.

Vou apresentar a contribuição que recebi de um jornalista amigo, cujo nome não é o caso agora de mencionar, mas que impressionado com a propaganda em torno do Rodoanel foi examinar a realidade, sem qualquer interesse que não fosse a busca dos fatos. E nós vimos que a propaganda do Rodoanel contrasta inclusive com o que os jornalões publicaram. Diz aqui um informativo oficial da Dersa que “liberado ao tráfego o trecho Sul do Rodoanel, a maior obra rodoviária do País, estando totalmente sinalizada horizontalmente e verticalmente…”, o que não é verdade. Hoje, os jornais mesmo mostram que já há uma reforma do Rodoanel, inaugurado às pressas, para que alguém pudesse supostamente faturar eleitoralmente com isso.

Como se sabe, o trecho Sul do Rodoanel tem 67 quilômetros, tem várias utilidades, pretende desafogar, quando estiver totalmente completo, todo o trânsito pesado da Capital, e teve um custo declarado de cinco bilhões de reais, e parcialmente vai ser amortizado depois com pedágios onerosos, todos eles não inaugurados ainda, devido à proximidade das eleições.

Pois bem, o que me trouxeram como contribuição é até uma reportagem já publicada pela revista especializada “Rodovias e Vias” que fala de uma obra que não teve a propaganda nem a divulgação do Rodoanel, não teve o custo do Rodoanel, mas cuja utilidade é incomensuravelmente maior para o nosso País, para os brasileiros. Trata-se da duplicação da BR-101, que hoje, essa sim, é a maior obra rodoviária em construção do Brasil.

Com a generosidade que caracteriza o nosso Governo, a duplicação da BR-101 vai propiciar que ela seja renomeada, e levará o nome de Mário Covas, o mesmo nome que aplicaram ao Rodoanel.

Mário Covas deve estar indignado com essa mudança de rota que os tucanos vêm trilhando. Primeiro tentaram participar do Governo Collor, mas logo em seguida se juntaram ao DEM, ao antigo PFL, para constituir a nova direita no Brasil. Não é aquela direita do General Newton, é uma direita moderna, como eu digo, uma direita de punhos de renda, liberal, partidária, defensora do mercado, mas que não assume o seu programa claramente.

Quem assume seu programa claramente, chama-se Fernando Henrique Cardoso. Esse sim, esse tem sido fiel às convicções desde que mudou e não aceita que reneguem a sua obra.

Por exemplo, tem defendido com todas as letras e tem agido em fóruns internacionais pela descriminalização da maconha. Eu vejo outro dia o ex-Governador José Serra dizer que “isso não”. Mas leva o Presidente Fernando Henrique Cardoso para aparecer lá na sua convenção e para assumir o programa que ele traz para o País, mas esconde. Um programa que o Presidente Fernando Henrique explicita com todas as letras e que é frontalmente contraditório ao que ocorre hoje no País, ao novo modelo de desenvolvimento que o Presidente Lula implantou e que é totalmente, repito, contraditório, diferente, mais generoso do que foi naqueles anos de herança maldita. E que agora se pretende trazer de volta com a nova roupagem autodenominada de pós-Lula e que o Brasil pode mais, ou que o Brasil não tem dono.

Diz o Brizola que o Brasil tem dono, tanto é que 1% da população apenas é a maioria da população. Mas o Brasil tem dono e o dono do Brasil é o seu povo. Não são aqueles que sempre representaram os interesses antipopulares e que agora se dizem favoráveis à união nacional. Quem está promovendo a união nacional é um governo que faz uma obra como essa, como a duplicação da BR-101, que vai ligar três estados, passando por três capitais e é a principal via de uma região recheada de contrastes e terá um papel extremamente importante na vida dos nordestinos.

Essa duplicação, Deputado Cândido, Deputado Siraque, Deputado Marcos Martins, Deputado Enio Tatto, eu a cito porque, como sempre, nós estamos aqui, debatendo, trazendo fatos, polemizando, porque nós somos a Bancada do Partido dos Trabalhadores. Nós somos portadores dessa mensagem de esperança e de manutenção desse Brasil que cresce em todas as regiões – esse é o Brasil unido, esse é o Brasil de todos. Não é o Brasil de pouca gente, de luminares, de grandes figuras exemplares, que são exemplares nos títulos, mas não exemplares na ação política administrativa.

Pois bem, essa rodovia corta regiões belíssimas, plantações de cana-de-açúcar, que se perdem no horizonte, mas também grandes capitais e comunidades empobrecidas. Transporta pessoas, leva produtos, interliga os principais pólos econômicos da região e dá acesso àqueles que querem aproveitar o turismo no belíssimo litoral nordestino. E quando ela foi implantada, ela colaborou muito também para o desenvolvimento da região. Quanto custa essa obra? Uma obra que não tem 67 quilômetros – tem 398 quilômetros ao custo de um bilhão e novecentos milhões. É um pouco mais de quatro vezes o custo do Rodoanel e construída também com a participação do Exército brasileiro. Não aquela pequena parcela do Exército que envergonha a corporação, porque se afundou, se emporcalhou na tortura, mas o Exército que constrói. O Exército brasileiro que foi lutar na Itália em defesa da democracia. Esse mesmo Exército ajuda a fazer a duplicação da BR-101, e é uma duplicação com concreto, uma via feita para durar 50 anos, pelo menos, suportando carga pesada.

Então, o trabalho jornalístico honesto e comprometido com a ética não  é o jornalismo da propaganda, da elegia. É o jornalismo da revelação dos fatos e da comparação. O Rodoanel é uma coisa, a BR-101, futura Mário Covas, duplicada, é outra. E façamos o contraste. E é o PAC, esse PAC que eles dizem que não anda, é o PAC na duplicação da BR-101, como é o PAC também no Rodoanel, cujos recursos se procura esconder dizendo “Não, não é do Orçamento, é do BNDES” como se o BNDES não tivesse recursos públicos e fosse um banco igual àqueles de que eles se nutriram nas privatizações, desprezando a possibilidade que têm os bancos públicos no fomento e desenvolvimento nacional.

Nós estaremos sempre aqui, Sr. Presidente, ao longo desse período, fazendo essas comparações, alertando a nossa população para o que está em jogo nessa disputa. Não caiamos no canto de sereia de fazer igual, mas fazer com mais competência, de poder mais.

O nosso Governo está fazendo, fazendo mais e melhor, com menor custo e beneficiando o conjunto da população brasileira, que é para isso que existem os governos – para servir ao povo e não para se servir do povo.

Muito obrigado.





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