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Pronunciamentos
25/03/2010 às 17:04h

Rui fala sobre ‘lealdade e gratidão’ e política tucana

Sr. Presidente,

Sras. Deputadas,

Srs. Deputados,

Telespectadores da TV Assembleia, público presente nas galerias do plenário, funcionários,

Assomo à tribuna hoje para falar sobre lealdade e gratidão, ou, se quiserem, sobre deslealdade e ingratidão.

Escolhi esse tema, Sr. Presidente, porque leio nos jornais que no lançamento do Governador José Serra como candidato a Presidente da República, o PSDB decide, entre aspas, esconder Fernando Henrique Cardoso.

Ora, todos sabem que o ex-Presidente, que governou o País por oito anos, foi um dos responsáveis pela grande projeção pública do Governador José Serra. Afinal, por duas vezes, o Governador José Serra foi ministro do Presidente Fernando Henrique Cardoso, Ministro do Planejamento, o que não aparece muito na sua biografia, porque parece que foi um mau período, e Ministro da Saúde, quando completou a criação pelo seu antecessor Jamil Haddad, do programa dos genéricos. E quando, em boa hora, também rompeu as patentes de alguns laboratórios estrangeiros que insistiam em vender muito caro o tratamento para os portadores de HIV.

Foi esse período, junto com Fernando Henrique Cardoso, que deu condições ao hoje Governador, de inclusive pleitear a Presidência da República em 2002, se apresentando, entre aspas, como o melhor Ministro da Saúde do mundo, recebendo um canudo, cujo teor ninguém nunca leu, não se sabe que entidade conferiu esse título, e que não havia um segundo colocado, coisa que até concurso de miss tem.

Mas, de qualquer maneira, com essa ideia de que foi o melhor Ministro da Saúde do mundo, ele concorreu a Presidente da República em 2002, chegou ao segundo turno e felizmente foi batido pelo Presidente Lula.

Desde então não faz outra coisa a não ser tentar novamente a disputa. Passou por cima do Governador de Minas Aécio Neves – o que irrita muito, nós mineiros de nascimento – e tenta seduzi-lo para ser seu vice como forma de ganhar o eleitorado mineiro que se sentiu não só preterido, como se inclina a votar numa mineira de grande preparo intelectual, grande capacidade gerencial e com um passado de lutas invejável. Pois bem. Mesmo devendo parte do seu prestígio mais à projeção nos ministérios do que propriamente ao exercício de mandatos no Executivo, haja vista que surfou na Prefeitura de São Paulo e deixou ali um substituto que faz a desgraça da cidade, transita pelo Governo do Estado inaugurando placas e maquetes e agora quer esconder o seu benfeitor. Por quê? Porque não quer fazer a defesa daquele período da herança maldita em que o País quebrou três vezes.

A despeito de o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso diariamente fazer a defesa das privatizações, da inserção subordinada do Brasil no contexto internacional, os tucanos de alta plumagem, dentre eles o Governador José Serra, entendem que a presença do ex-presidente na campanha eleitoral pode significar uma âncora não no sentido de apoio, mas no sentido de afundar mesmo a candidatura. Então é uma posição de ingratidão e deslealdade, pelo menos é o que a gente vê nos jornais. Anuncia-se uma grande festa com convidados que comparecerão espontaneamente, cerca de duas a três mil pessoas, que haverá poucos oradores, o próprio Governador, o Presidente do PSDB Sérgio Guerra, um membro do conselho de duas empresas da Capital de São Paulo, o Presidente do PPS Roberto Freire e o Presidente do DEM Rodrigo Maia e o ex-Presidente Fernando Henrique provavelmente viajará. Ah, dizem que talvez fale uma mulher – ainda inominada – porque afinal pega mal no lançamento de um candidato à presidência da República quatro homens falarem sem nenhuma mulher presente sequer para fazer uma saudação.

Ao ser indagado se Fernando Henrique falaria no encontro, Guerra respondeu: “Esquece o Fernando Henrique. Você está parecendo a Dilma Rousseff falando do Fernando Henrique Cardoso.”

Eu não imaginava que a mera citação do ex-presidente causasse tamanho desconforto ao presidente do PSDB. Não imaginava que uma pessoa de renome internacional, detentora de vários títulos de Doutor Honoris Causa pudesse ser escondido numa campanha presidencial. Nós do PT não escondemos nenhum dos nossos militantes, não temos vergonha dos nossos apoiadores. E o mais grave. O ex-presidente tenta achar um palanque para o Governador José Serra em Brasília, porque parece que, como em outros estados, ele não está conseguindo palanque também em Brasília.

O ex-presidente encontra-se com o ex-Governador Joaquim Roriz, que, ao que tudo indica, será um dos próximos atingidos pela mesma operação que levou o governador de Brasília à prisão. E há uma controvérsia de quem procurou quem. O ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso diz que Roriz bateu à sua porta e ele não poderia deixar de receber alguém em casa e o ex-Governador Roriz diz que não. Que foi procurado pelo Fernando Henrique, que ele não procura ninguém. “Ele foi até a minha casa dizer que era candidato, disse o tucano sobre a intenção do colega sem mencionar o apoio manifestado pelo ex-governador à candidatura de Serra ao Planalto. Roriz desmentiu o ex-presidente. Em nota, disse que foi procurado pelo PSDB, que lhe ofereceu a legenda para uma aliança na capital federal. Em resposta às críticas dos tucanos, que reagiram com irritação ao encontro entre ele e Fernando Henrique, Roriz disse que jamais procurou ninguém. O encontro causou mal-estar na cúpula do PSDB porque o nome de Roriz, que lidera as pesquisas do Distrito Federal, é apontado pela Polícia Federal como o possível próximo alvo da Operação Caixa de Pandora.”

Mas a ingratidão não se circunscreve ao esquecimento do ex-presidente, a renegar o ex-presidente, a querer apagá-lo da história, ao não defender a sua obra, ao elogiar o Governo Lula falsamente para dizer que o país vai bem e que ele quer melhorar. A ingratidão se estende aqui no Estado de São Paulo, onde vejo também que a chapa anunciada para disputar o governo, o chamado G4, será composta pelo ex-Governador Geraldo Alckmin, pelo Secretário Guilherme Afif Domingos, do DEM, um dos autores do ‘Impostômetro’ e do ‘Cansei’, inegavelmente do DEM e opositor ao Presidente da República, o antiLula como é o Governador José Serra e é preciso que fique claro que o Governador José Serra não é o pós-Lula, o Governador José Serra é o antiLula, campanha contra o Lula, sabotagem às política do Presidente Lula aqui no Estado, outro modelo, já disse o presidente do PSDB que vai mexer na política econômica, no câmbio, criticam o chamado déficit em conta corrente mas não apresentam soluções, pois bem, aqui no Estado de São Paulo o chamado G4 é Geraldo Alckmin, do PSDB, Afif Domingos, do DEM, e as vagas no Senado estão reservadas a alguém do PSDB, tudo indica o Secretário Aloysio Nunes Ferreira, mas os jornais ainda dizem que também o Deputado José Aníbal pleiteia e a outra vaga para o ex-Governador Orestes Quércia, de quem os tucanos dizem ter se separado e de quem teria sido móvel para formação do PSDB, porque não daria para conviver gente como Montoro, Fernando Henrique, Mário Covas com o ex-Governador Orestes Quércia. Pois bem. E para onde vai o Senador Tuma?

O PTB, todos sabem, tem sido o partido mais leal aqui em São Paulo aos tucanos.

Em recente eleição aqui na Capital, enquanto o PSDB na sua grande maioria (para valer mesmo!) apoiou Gilberto Kassab, uma pequena parte do partido apoiou Geraldo Alckmin e levou-o à derrota. E onde estava o PTB? O PTB foi para o sacrifício junto com o Governador Geraldo Alckmin. Quer dizer, o PSDB que apoia o Kassab ganha uma vaga ao Senado e o PTB que foi leal ao Governador Geraldo fica fora da chapa ao Senado. Mais uma atitude de deslealdade e de ingratidão. A lealdade e a gratidão são virtudes que devem ser admiradas num político, não só no político, mas na nossa vida, no trato com as pessoas, na família.

Para cima das divergências, a lealdade e a gratidão devem ser preservadas e isso o Governador José Serra e a cúpula do PSDB não estão fazendo.





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