Rui discute Parque Tizo com lideranças e moradores de Vila Nova Esperança
Em audiência pública hoje, 11/03, organizada pela Frente Parlamentar em Defesa da Água Limpa, reuniram-se parlamentares do PT, moradores da Vila Nova Esperança, Zona Oeste da Capital, e lideranças comunitárias pela defesa da implantação do Parque Urbano de Conservação Ambiental e Lazer “Fazenda Tizo” com a permanência das mais de 500 famílias historicamente estabelecidas ali.
A população demanda um plano efetivo de urbanização para a área, em que a comunidade seja peça complementar na gestão e preservação do parque.
Atualmente, o governo de José Serra quer remover as famílias para imóveis da CDHU distantes do local, apesar de não haver previsão de disponibilidade de habitações na Companhia.
Durante a audiência, representante da Secretaria municipal do Verde destacou a relevância da implantação do parque para o meio-ambiente metropolitano. A área, remanescente de Mata Atlântica, contribui para a preservação da fauna e para o controle do clima.
Além disso, constitui-se em um espaço propício para o desenvolvimento da reeducação ecológica da população e de seu lazer.
Seguiu a fala do representante a do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), em que ele destacou a falta de ação do Governo sobre a implantação do parque. O projeto havia começado há 4 anos e a verba direcionada a ele não foi aplicada.
O projeto também contemplava a permanência dos moradores, estendendo-se assim como uma ação estratégica de urbanização e preservação ambiental. Contudo, problemas de coordenação política entre órgãos do Estado, somados à omissão da CDHU sobre ação do Ministério Público pedindo a desocupação unilateral da área, acarretaram na atual situação, em que a Justiça exige a devolução da área pela Companhia ao Estado.
Em seguida, o deputado Rui Falcão reiterou o verdadeiro caráter da problemática, em que há a necessidade de se garantir preservação ambiental e moradia digna aos locais.
Ele relembrou o papel atuante dos moradores na defesa da integridade do parque, denunciando a especulação imobiliária e os despejos de lixo ilegais. Porém, os Governos municipal e estadual mantiveram uma postura de desinteresse, não tendo sequer instalado infra-estrutura de saneamento que viabilizaria a urbanização da área, colocando a mata a salvo da contaminação por resíduos.
Além disso, o deputado, líder do PT na Assembleia, destacou a irracionalidade da gestão do problema. Pois, a longo prazo, sai mais barato aos cofres públicos urbanizar o bairro e instrumentalizar a comunidade como ator na preservação da mata, gerando empregos e renda; que construir imóveis em lugares distantes pela CDHU e pagar benefícios de aluguel social.
O deputado encontrou a resposta para tal atitude no processo de higienização social que tem se desenrolado na região metropolitana. Em vez de enfrentar as questões sociais que repercutem em tensões e conflitos urbanos, principalmente em segurança pública, os governos Serra/Kassab têm apostado na expulsão da população carente para cada vez mais longe como “melhor forma” de enfrentamento.
Ainda falou a presidente da Associação Independente Vila Nova Esperança do Butantã, Maria Zélia de Jesus, que agradeceu os esforços da bancada petista em nome dos moradores, especialmente aos deputados Carlos Zarattini e Rui Falcão. Ela enfatizou o caráter legalista das demandas locais, dizendo que habitação não seria o problema deles, mas a legalização fundiária.
Maria Zélia se disse confiante na vitória do povo e reclamou do amadorismo com que o Governo tem tratado o caso, na medida em que deseja a remoção das famílias, mas não tem ideia de onde as colocar.
