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28/05/2010 às 18:29h

Por que antecipar o PED

Por Rui Falcão
Vencidas as propostas de reforma eleitoral – em grande medida por fragilidades de condução política e desarticulação governamental – a disputa eleitoral de 2008 tende a reproduzir as dificuldades tradicionais que sempre enfrentamos: ação do poder econômico, oposição da mídia conservadora, preconceitos veiculados pelas classes dominantes e fragmentação das campanhas proporcionais entre nós. Continuará contando a nosso favor a forte imagem do PT, o partido com maior intenção de voto em todo o País, e o carisma pessoal do presidente Lula, cujo governo a oposição, encabeçada pelo PSDB, continua tentando desestabilizar. É tarefa fundamental dos petistas e de todas as demais forças progressistas apoiar o governo Lula e fazê-lo avançar mais, a fim de que o segundo mandato supere o anterior, pleno de conquistas e realizações para os setores populares.

É à vista deste cenário que os delegados e delegadas ao 3º Congresso deverão produzir resoluções para orientar nossa militância no próximo período. As eleições de 2008 são um estágio relevante para darmos continuidade, em 2010 com a sucessão de Lula, ao programa democrático-popular preconizado pelo Partido dos Trabalhadores.

Claro que já se iniciou o ensaio geral das candidaturas para o pleito do próximo ano, sobretudo as proporcionais, com os atuais mandatários saindo na frente e, em tese, com vantagem sobre os demais. Mas não existe até agora, pelo menos em São Paulo, um plano de campanha global, com definição clara de prioridades, empenho correspondente, articulação de alianças, plataforma de campanha unificadora das várias candidaturas, concepção de campanha publicitária – enfim, todo um projeto articulado, a partir de uma tática eleitoral para conquistar regiões/cidades-chave e, simultaneamente, para manter posições onde somos governo.

Também no que concerne à oposição ao governo Serra, que representará para os tucanos e seus aliados na disputa o que Lula significa para nós, ela tem se restringido à ação da Bancada estadual e de algumas entidades sindicais e populares, sem que o núcleo da direção partidária oriente ou ajude a amplificar as iniciativas dos deputados e deputadas. As denúncias contra os desmandos tucanos, as tentativas de instalação de CPIs, o esforço para ampliar a ação oposicionista, o trabalho para evitar a apropriação indébita das realizações do governo Lula pelos tucanos – nada disso tem merecido o apoio diligente do comando petista no Estado.

Só estes fatos, de per si, já justificariam uma renovação imediata dos atuais dirigentes, que há praticamente uma década vêm conduzindo o PT em São Paulo. Mas somam-se também outras circunstâncias, como a da crise de 2006, que levou o presidente Lula a destituir o atual núcleo dirigente da coordenação de sua campanha no segundo turno, com resultados auspiciosos a partir daí. Como se recorda a fase final do primeiro turno desgastou o PT e encorajou algumas personalidades petistas, hoje pretensamente redimidas, a proporem a “refundação” do partido…

Em que pese a dedicação da militância, o trabalho obstinado de dirigentes intermediários, prefeitos, vereadores, é visível a desarticulação e a falta de presença orgânica do PT nas diversas regiões do Estado. A comunicação entre as instâncias e os filiados é precária; a formação política, inconstante e desatualizada; os recursos materiais, escassos; e a presença do núcleo dirigente, festiva, cartorial e mais freqüente quando da escolha de delegados.

Pela inércia, este estado de coisas permanecerá até o final de 2008, passadas as eleições. Ou, quem sabe, até 2009, pois tem sido praxe a prorrogação de mandatos entre nós, sob o argumento de que não se pode substituir os dirigentes em ano eleitoral… E só o 3º Congresso tem amplos poderes e legitimidade para alterar a situação, antecipando o PED para o final de 2007, a fim de que o voto direto e secreto da militância possa eleger uma direção à altura das tarefas postas para o PT.





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