PF investiga uso de publicidade para fraudar banco estatal gaúcho
Por Ayrton Centeno
Um desvio de R$ 10 milhões do setor de marketing do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) levou a Polícia Federal a prender três pessoas ontem (quinta) e a cumprir 11 mandatos de busca e apreensão na instituição, em agências de publicidade e residências. Acompanhada pelo Ministério Público Estadual e o Ministério Público de Contas, a força-tarefa da PF investiga o superfaturamento de campanhas de publicidade. A quadrilha seria composta por um superintendente do banco, diretores de agências e prestadores de serviços, suspeitos de cometerem os crimes de evasão de divisas, sonegação fiscal e ocultação de bens e valores.
A Polícia Federal prendeu o superintendente de marketing do Banrisul, Walney Fehlberg, e os publicitários Gilson Storke, representante da agência SL&M, e Armando D’Elia Neto, diretor da agência DCS. Basicamente, as campanhas publicitárias eram terceirizadas e, a partir daí, repassadas a outras empresas que cobravam valor muito inferior ao exigido ao banco. Com os três presos os federais encontraram aproximadamente R$ 3 milhões em moeda brasileira e também em dólares, libras e euros. A PF, aliás, cobriu uma mesa com os maços de dinheiro.
Governadora estranha
Ao saber da ação, deflagrada no começo da manhã, a governadora Yeda Crusius (PSDB) repercutiu a Operação Mercari no twitter. Com sua administração crivada de denúncias de corrupção, sua primeira reação foi de suspeita.
“É, já vi esse filme antes. Roteiro do velho jeito. Convoquei a direção e o conselho do Banrisul para reunião (…)”, tuitou. Logo, registrou como “muito estranho” o fato de a PF, órgão federal, estar no Banrisul, que é estadual.
As estatais gaúchas, entre elas o Banrisul, a CEEE e a Corsan, têm sido os principais suportes dos gastos do governo tucano em publicidade. Apenas o Banrisul, teria aplicado em dois anos – 2007 e 2008 – R$ 164 milhões em publicidade.
O superintendente da Polícia Federal no estado, Ildo Gasparetto, negou que os recursos apreendidos ou desviados fossem destinados a gastos de campanha. Afirmou que o material recolhido pelos agentes – computadores e documentação – ainda está sendo analisado e que, se houver conexão com campanhas eleitorais, a Procuradoria Eleitoral será comunicada.
(Do Brasília Confidencial.)