Mantenha-se informado
Página inicial /
Noticias
24/08/2010 às 17:14h

Pé no acelerador

Para Alan Mulally, presidente mundial da Ford, o Brasil tem papel “cada vez mais importante” no crescimento da empresa e no desenvolvimento de modelos

Por Cláudia Rolli

“O Brasil é o centro do universo.” A frase, dita pelo presidente mundial da Ford, Alan Mulally, resume o que a montadora planeja — e começa a colocar em prática, com seu plano de reestruturação One Ford — para atender os consumidores de um país que já é o quarto maior mercado do mundo em vendas.

A Ford deve encerrar o ano com 350 mil carros vendidos no Brasil. No ano passado, vendeu 300 mil. Ocupa o quarto lugar em volume de vendas — a sua frente estão Fiat, Volks e GM.

Participa hoje com 10,5% do mercado nacional e quer crescer nos segmentos popular, médio e de luxo, com carros que prometem inovações tecnológicas e energéticas. A partir de 2011, a montadora vai vender no país, por exemplo, o Ford Fusion híbrido, que combina motor a combustão (gasolina) e elétrico. O carro será importado do México e deve custar entre R$ 120 mil e R$ 150 mil -preço mais acessível que o concorrente da Mercedes-Benz (S 400), de R$ 440 mil.

Mesmo custando menos, o custo do híbrido da Ford ainda está longe do bolso da maioria dos brasileiros. Hoje, 6 em cada 10 veículos vendidos pela Ford estão na faixa de R$ 25 mil a R$ 40 mil.

“A América do Sul é muito importante para a Ford e está se tornando cada vez mais”, diz Mulally, ao lembrar que as Américas do Norte e do Sul respondem por um terço das vendas mundiais da Ford.

Europa, Ásia e Pacífico respondem pelo restante. “Com a lucratividade obtida nesses mercados, teremos ainda mais recursos para fazer novos investimentos na América do Sul”, diz.

Desde o final do ano passado, a Ford anunciou R$ 4,5 bilhões em investimentos para a filial brasileira até 2015. Parte desse total (R$ 500 milhões) será usado para ampliar a fábrica de Camaçari (BA), onde engenheiros desenvolvem o novo modelo global do EcoSport.

Reetruturação

O que permitiu à Ford se tornar mais lucrativa e investir mais recursos na América do Sul, diz Mulally, foi o plano One Ford, adotado a partir de 2006, quando deixou a Boeing e assumiu a Ford.

Faz parte do plano oferecer em todo o mundo, quase simultaneamente, carros feitos em plataformas globais. É o caso do New Fiesta, fabricado no México, com motor feito em Taubaté. Foi lançado há cinco meses nos EUA e chega ao Brasil a partir desta semana. Custa entre R$ 49,9 mil e R$ 54,7 mil.

Com o plano One Ford, a companhia reduziu seus custos em US$ 12 bilhões, ao se desfazer de várias marcas de luxo -como Aston Martin, Jaguar, Land Rover e Volvo. “Tínhamos 97 modelos diferentes. Hoje, são 20, o que permitiu reduzir a complexidade e os custos”, diz Mulally. “Decidimos manter o foco na marca Ford e uma família completa de carros de pequeno, médio e grande portes, SUVs e caminhões.”

Antes da reestruturação, a Ford empregava 300 mil em 108 fábricas no mundo. Hoje, são 178 mil em 80 fábricas. O One Ford trouxe lucros à companhia nos últimos cinco trimestres consecutivos, diz Mulally. Em 2009, a Ford faturou R$ 2,7 bilhões. Em 2008, afetada pela crise, teve perdas de US$ 14,7 bilhões.

“Assim como enfrentei o 11 de Setembro e a crise da Ásia, tive de enfrentar a desaceleração da economia. O importante é encarar a realidade, adaptar o tamanho da companhia à demanda e acelerar investimentos. Teremos lucros sólidos neste ano e 2011 será ainda melhor.”

Mulally diz que o governo Lula teve papel fundamental para gerenciar a crise. “Em minha visita ao Brasil [em abril] disse ao presidente Lula que fiquei impressionado como o governo gerenciou a economia nos últimos oito anos e enfrentou a crise, agindo com rapidez nos planos financeiro e monetário.” Sobre a eleição presidencial, Mulally crê que a transição será “tranquila”. “Quem quer que seja o sucessor [de Lula] manterá o foco no crescimento da economia, o que permite investir com tranquilidade no Brasil.”

(Da Folha de S. Paulo.)





Nome:


Email:


Site:  


Comentar: