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15/07/2010 às 15:18h

Folha de SP: “melhoria do transporte público não é uma prioridade para o prefeito Gilberto Kassab (DEM)”

Editorial: Obra equivocada

Tem origem duvidosa e destino certo o novo complexo viário que a Prefeitura de São Paulo pretende construir na zona sul da cidade.

Túneis e melhorias prometem ligar avenidas e eliminar gargalos, ao custo de R$ 219 milhões. A obra integrava uma lista de sugestões apresentadas pelo sindicato das empreiteiras aos candidatos a prefeito, em 2008.

Com o passar do tempo, o localizado alívio que o investimento levará ao trânsito da região se converterá, como tem acontecido há décadas, em novo ponto de congestionamento para o motorista.

O valor a ser consumido em mais um incentivo à locomoção por automóvel em São Paulo seria suficiente para implementar 20 km de corredores de ônibus. Ao que tudo indica e ao contrário do que já pretendeu fazer crer, a melhoria do transporte público não é uma prioridade para o prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Sua gestão investiu muito pouco em faixas exclusivas para coletivos. É fato que recapeou corredores, mas isso pouco mudou o padrão do transporte para os mais de 3 milhões de passageiros diários que trafegam nessas vias.

A lentidão, que já se verificava antes das obras, permaneceu. Em média, os coletivos andam a pouco mais de 17 km/h nos corredores. Nos horários de pico, a velocidade pode cair para 12 km/h.

Os corredores necessitam de faixas de ultrapassagem e obras que priorizem o fluxo dos ônibus em detrimento do automóvel. Esse seria um destino mais adequado para o dinheiro que a prefeitura pretende investir nos túneis e avenidas na zona sul.

Intervenções como essa não deveriam ser realizadas antes que a cidade atingisse um padrão satisfatório na rede pública -o que poderia, aliás, torná-las desnecessárias ou mais modestas.

Infelizmente, o fator eleitoral acaba por impor-se. O velho modelo do “tocador de obras”, que fez escola em São Paulo, continua a exercer fascínio sobre políticos com dificuldade de enxergar os verdadeiros desafios do futuro.

(Da Folha de S. Paulo.)





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