Factóides de Serra na Educação
Rui Falcão
Da tribuna da Assembléia Legislativa, Rui Falcão denunciou, em 27 de setembro, mais um factóide do governador Serra – a reintrodução do Boletim nas escolas públicas. O Boletim segue a outras soluções cosméticas para encobrir o retunbante fracasso da educação tucana no Estado de São Paulo. Entre estas, a redução dos ciclos de três para dois anos e a avaliação continuada (aprovação automática), que segundo pesquisa recente indica que alunos de oitava série das escolas paulistas apresentem desempenho escolar corresponde aos da quarta série. Eis a íntegra da fala de Rui Falcão:
“Vou tomar a liberdade de ler aqui um artigo da nossa assessora de educação, Bia Pardi, que fala do saudosismo do PSDB na educação. Diz ela: “O Governador José Serra manifestou, alguns meses atrás, seu apreço pela tabuada decorada. É uma prática exercida nas escolas nos idos 50, aquela em que a classe inteira recitava, em conjunto: dois mais dois, quatro; duas vezes três, seis, como forma de aprender a matemática.
Depois, a ex-secretária, uma daquelas três que foram embora, Sra. Maria Lúcia Vasconcelos, entendeu que resolver os problemas da rede implicaria em voltar ao sistema de ciclos, avaliação continuada, que, na verdade, é uma aprovação automática. Que de quatro em quatro anos, deveria ser de dois em dois anos, demonstrando desconhecimento do que seria necessário implementar na avaliação continuada, para que fosse realmente instrumento de superação das dificuldades dos alunos. A começar pela redução do número de alunos em classe, adequação das condições físicas das escolas, a reformulação da estafante jornada de trabalho dos professores, bem como valorização salarial e profissional, a democratização do exercício do magistério, naturalmente, com a participação dos pais e da comunidade. É isso que pode fazer um saber pedagógico coletivo, como a profissão está a exigir.
Agora, tem a última novidade ao custo de um milhão de reais ao ano, que é o retorno do famoso boletim. Acho que muitos aqui, desta Casa, se lembram do famoso boletim. Para justificar esse saudosismo, esse retorno fora de época, a secretária afirma que o boletim “existe em todas as boas escolas particulares”. Será que a secretária imagina que a mera existência do boletim em escolas particulares nivela as escolas precárias, infelizmente, da rede pública?
Apesar desses factóides, os pais, preocupados, avaliam que com o boletim poderão acompanhar melhor o desenvolvimento escolar dos filhos. Mas seria mais produtivo se os pais participassem ativamente da escola e pudessem interferir, ou, quem sabe, até, mais corretamente, compartilhar da gestão das escolas.
Mas é dessa maneira, com ações pontuais, que o Governo tucano finge enfrentar os graves problemas do ensino público de São Paulo. Enquanto isso, Deputado Carlos Giannazi, como V. Exa. tem ressaltado aqui, o plano estadual de Educação adormece nas gavetas da Assembléia Legislativa.”
Espero que agora que vamos ter o novo Regimento a partir de 15 de novembro – e o Regimento era um pretexto para que essas coisas continuassem engavetadas – isso possa ser discutido e nós possamos finalmente aprovar um plano decente para todo o Estado que melhore a qualidade do ensino, que reconheça o valor dos professores e dos funcionários do ponto de vista profissional e salarial.