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06/07/2010 às 17:38h

Córregos despoluídos por Serra voltam a arrastar lixo e esgoto

Três anos depois de ser despoluído pelo governo de José Serra, o Córrego Carajás voltou a espantar os frequentadores do Parque da Juventude, na zona norte de São Paulo. Carregado de esgoto e lixo, o curso d’água espalha um forte odor dentro de uma das principais áreas de lazer da cidade, por onde passam cerca de 15 mil pessoas todos os dias. Moradores da região dizem ter desistido de correr na pista de cooper do parque por causa do mau cheiro.

A situação do Carajás também é observada em outros três córregos da capital cuja despoluição já foi concluída pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), na primeira fase do Programa Córrego Limpo. Em 2007, o projeto foi lançado por Serra com a meta de limpar cem córregos paulistanos até dezembro de 2010.

No caso da limpeza de Carajás, em Santana, foram aplicados R$ 9,7 milhões na limpeza, incluindo 141 novas ligações de esgoto em residências que ainda lançavam dejetos direto no manancial, por meio de fossas sépticas.

Mas segundo o administrador do parque, Paulo Pavan, o problema nunca desapareceu totalmente. Ele suspeita de ligações clandestinas de esgoto feitas diretamente no córrego por moradores do vizinho conjunto habitacional Cingapura, onde moram 6 mil pessoas.

Especialistas ouvidos pelo Estadão apontam que um dos principais motivos que levam moradores a refazer as ligações clandestinas de esgoto após obras de saneamento é a má qualidade da rede de coleta instalada no local.

Foi o que aconteceu em outro córrego que consta na lista de totalmente despoluído pelo Córrego Limpo: o Armênio Soares, no Itaim Paulista, zona leste da cidade. Moradores dizem que tiveram de voltar a lançar seu esgoto no córrego porque havia refluxo nos encanamentos feitos pela Sabesp. “O esgoto sempre entupia. E é melhor sujar o rio do que a pia da cozinha”, afirma a catadora Cidália Correa do Nascimento.

Há também relatos de córregos onde a própria Sabesp voltou a lançar os dejetos no curso d’água. Um exemplo é o Arboreto, que nasce no Horto Florestal, no Jardim Pery, na zona norte. Na lista oficial do Córrego Limpo, o riacho foi dividido em dois — o Ciclovia, que teria sido totalmente despoluído, e o Pedra Branca, cujos principais trechos teriam sido recuperados.

No entanto, há esgoto sendo despejado no curso d’água e lixo acumulado nas margens. Segundo moradores, a Sabesp teria canalizado o esgoto de um conjunto de residências que o despejava diretamente no rio, mas, em vez de conectar o cano na rede de coleta, continuou lançando os dejetos no córrego. “Faltaram só dois metros de encanamento, que tentei negociar mas não consegui. Essas pessoas agora pagam taxa de esgoto mas, se você olhar, não mudou nada”, diz o líder comunitário e conselheiro do Horto, Rubens Ferreira.

A situação é parecida no Córrego Limoeiro, em São Miguel Paulista, na zona leste. Ele também consta na lista dos 14 córregos que tiveram os principais trechos recuperados, mas há lixo no leito e dezenas de canos despejando dejetos “e mau cheiro” por quase toda a extensão. “De que adianta limpar parcialmente se para a gente não muda nada?”, questiona o cabeleireiro José Aparecido Campos.

Para Júlio Cerqueira César Neto, engenheiro ambiental e ex-presidente do Comitê da Bacia do Alto Tietê, o programa tem pouco efeito prático. “O projeto é quase desprezível se for olhado o tamanho da rede hídrica e a quantidade de esgoto de São Paulo. Mas serve para a Sabesp fazer propaganda da ação aos seus acionistas”, avaliou o especialista César Neto.

Com informações do Estado de S. Paulo.





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