A poluição do Tietê e os bodes expiatórios
Donisete Braga
Relatório da Cetesb trouxe uma péssima notícia para os moradores da Região Metropolitana. O Tietê, nosso principal rio, ficou mais poluído em 2006 com o aumento da quantidade de esgoto, fósforo e nitrogênio amoniacal. O nível de oxigênio voltou ao patamar crítico da década de 1990, com zero miligrama de oxigênio por litro no trecho que corta a capital.
Uma das justificativas da Cetesb para explicar o fenômeno percebido a olho nu e pelo odor insuportável – é a variação das chuvas. Ou porque choveu muito e os detritos urbanos foram parar nos córregos e depois nos rios. Ou porque choveu pouco e o esgoto in natura não se dilui.
Outra justificativa oficial responsabiliza prefeituras, entre as quais as do ABC, e moradores da Região Metropolitana. Aquelas por não tratarem os esgotos e estes por depositarem lixo na vias públicas e terrenos baldios, que acabam nos rios. Realmente este é um problema que poderia ser resolvido caso as prefeituras criassem formas adequadas de coleta de entulhos, pneus, colchões etc.
A Cetesb nomeia bodes expiatórios para eximir o governo do Estado de suas responsabilidades. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) é responsável pelo planejamento, construção e operação de sistemas de água, esgoto e efluentes industriais em 367 municípios paulistas.
A Sabesp produz, na Região Metropolitana, 65 mil litros de água por segundo para atender 17,5 milhões de pessoas em 31 municípios. Outros seis municípios Santo André, São Caetano, Diadema, Mauá, Guarulhos e Mogi das Cruzes compram água da Companhia por atacado e operam diretamente os serviços de saneamento. Do total operado pela Sabesp, 30 mil litros de esgoto por segundo vão para os córregos e rios sem nenhum tratamento.
Veja o absurdo dessa situação. Barueri, município localizado na parte Oeste da Região Metropolitana, com cerca de 265 mil habitantes, possui uma das maiores estações de tratamento do país. Porém a Sabesp não trata nenhum metro cúbico de esgoto da cidade, apesar de cobrar e bem – pelos serviços de água e esgoto.
Esses baixos índices de tratamento não se explicam quando analisamos o desempenho econômico e financeiro da Sabesp. Em 2006, teve uma receita operacional líquida de R$ 5,5 bilhões e um lucro líquido de R$ 873 bilhões, segundo balanços da própria Companhia.
Por outro lado, o governo investiu na primeira etapa do Projeto Tietê US$ 1,1 bilhão e, na segunda fase, que vai até 2008, serão investidos mais US$ 400 milhões. Mesmo com estes investimentos brutais, os resultados não são satisfatórios, como demonstra o relatório da Cetesb. Para revertermos essa situação, o governo precisa realizar uma política integrada de saneamento entre Estado e municípios da região, onde estes sejam ouvidos e respeitados. Pelo visto, é mais fácil nomear bodes expiatórios do que assumir suas responsabilidades.
Donisete Braga é deputado estadual e 1º secretário da Mesa diretora da Assembléia Legislativa de São Paulo